Mestre Sol e Mestre Luz – Kazagrande

No início de nossa organização do Corpo Mediúnico, com a formação do Mestrado, Tia Neiva trouxe duas classificações diferentes para os Doutrinadores: Mestre Sol e Mestre Luz. O objetivo era que, pela sua Clarividência, já determinasse nos primeiros passos, a disposição transcendental do Mestre para determinados Comandos.

Lembremos que o objetivo de trazer o Mestrado, pela Elevação de Espadas, era a preparação para a Estrela Candente.

Com o descortinar de sua visão, para uma missão ainda maior, trazendo a Centúria e novas classificações, a determinação da primeira classificação, em Mestre Sol ou Mestre Luz, passou diretamente à intuição dos Devas. Assim como as Falanges de Mestrado e Povo.

Nas primeiras classificações realizadas pelos Devas, além da natural intuição dos grandes Mestres Barros, Fróes, Capuchinho e Jorgito, levava-se em conta se o Mestre residia no Vale. Pois um Mestre residente teria mais facilidade para assumir os comandos e escalas, sendo consagrado como Mestre Luz.

Hoje a diferença principal fica pela determinação preservada de que somente um Mestre Luz poderá comandar a Estrela Candente e o Sanday de Indução. Ambos são Doutrinadores e dispõem das mesmas forças.

O Mestre Sol é o Regente da Estrela, obedece a escala do Primeiro Mestre Sol da Estrela Candente, Mestre Nelson Cardoso, Adjunto Janarã. Na Regência, ele ocupa o projetor de destaque e tem a missão de reger no trabalho em sua área Cabalística, ao passo que o Mestre Luz, obedecendo a escala de Comandantes Janatã, exerce o Comando verbal ativo. São apenas missões diferentes, ninguém é mais que ninguém!

Kazagrande

Quando perdemos a esperança… Kazagrande

Esta semana li um texto interessante sobre um jovem que desejava deixar a Doutrina por observar as contradições entre palavras e ações de seus irmãos. Estava cansado das disputas, das fofocas, da intolerância em um ambiente onde se prega o amor, a humildade e a tolerância. Sabiamente o Adjunto disse que enchesse um copo com água até a borda e desse três voltas em torno do Templo, e depois poderia entregar suas armas. Pensando ser uma espécie de ritual, o jovem deu as três voltas e levou o copo com água até o Adjunto:

  • E então? Durante estas três voltas ao redor do Templo, quantas maledicências você ouviu? Quantas fofocas? Quantas atitudes incompatíveis com a Doutrina você pode observar?
  • Nenhuma! – foi a resposta do jovem.
  • Exatamente! Não viu nada, mas tudo permanecesse igual, as mesmas coisas de sempre. A diferença foi que você estava prestando atenção no copo, este era seu foco! Nada mais importava! Então… Pense no seu trabalho espiritual como pensou no copo e nada ao redor importará mais do que cumprir a missão.

Salve Deus!
Este relato me fez refletir muito sobre quantos de nós hoje precisamos deste “copo”. O quanto é preciso manter o foco na missão para poder cumpri-la! Pois se olhamos ao redor da vontade de desistir! Se prestamos a atenção ou questionarmos nossos irmãos, sentiremos vontade de sair correndo.

Sim, meus irmãos e irmãs, é triste! Mas temos duas opções apenas: focar ou correr! Não pensem que nunca desanimei, ou pensei em desistir de tudo! Pelo contrário, luto todos os dias, contra eu mesmo, para manter o foco! Tenho a esperança de que cada vez mais surgirão mentes despertas e capazes de semear um futuro de união e compreensão. Tenho fé! E as vezes é somente a fé que resta.

A cada novo texto redigido, a cada e-mail respondido, seja de um coração aflito ou de uma alma resgatada, sinto florescer de novo a esperança dos dias de “branquinho”.

Também sinto vontade de gritar, de dizer um basta a tantas coisas… Mas a grande pergunta sempre será: Resolve? Ou: Resolveria? Então é melhor semear o que possa ser bom e produtivo, compartilhar o pouco conhecimento adquirido, dividir as experiências vividas, e sonhar (sim, sonhar!) com o momento em que a maioria possa caminhar sem precisar do copo, pois ao nosso redor encontraremos o amor nos olhares, a humildade nas palavras e a tolerância no calar.
Kazagrande

Trabalho de Contagem – Jairo Zelaya

O trabalho de Contagem foi trazido para a manipulação de correntes negativas mais pesadas, que muitas vezes atrapalham os trabalhos. As primeiras Contagens ocorriam sempre que nossa Mãe sentia o Templo pesado, com prejuízo para os médiuns e pacientes. Na época, o Comandante do Dia suspendia tudo e fazia uma Contagem, a qualquer momento, depois os trabalhos eram continuados.

Nossa Mãe explicava que, quando o comandante faz a harmonização, emissão e canto, é formada uma “redoma” em volta do Templo ou do lugar onde é realizada a Contagem, motivo pelo qual ninguém pode entrar nem sair do ambiente até o término desse trabalho.

Dentro dessa redoma, o comandante convida os médiuns a mentalizarem as forças da natureza – as matas, os mares, as cachoeiras, etc, fazendo com que a força nativa seja atraída para dentro.

Depois, o comandante pede a mentalização dos problemas, dos hospitais, presídios, dos que sofrem, atraindo as correntes negativas que atrapalham os que estão sendo vibrados, assim como as que se fazem presentes no ambiente, e enviando as energias positivas para os que são vibrados, fortalecendo e iluminando seus caminhos.

Em seguida o Comandante faz sua evocação, pedindo ao Mestre Jesus e ao Divino Arakém a iluminação da Contagem com a presença do Povo de Cachoeira e das Sereias de Iemanjá, que vem justamente manipular e preparar as correntes e espíritos negativos ali contidos para a elevação. Após a vinda do povo das águas, todos ficam de pé, emitem o mantra Simiromba para a impregnação fluídica e três elevações, pelos Doutrinadores.

Nossa Mãe disse que, durante a elevação, a “redoma” explode em luz, e o trabalho é encerrado, deixando apenas a emanação suave do povo das águas.

Jairo Zelaya

Sobre as Leis e Normas e a Indefinição vivida hoje

Muitos me indagam sobre as leis, normas e ensinamentos do amanhecer serem restritivos, seja pelo ensinamento de não ingerir álcool por conta da questão técnica de contaminar o sangue e afetar o exercício mediúnico em frequências luminosas ou pelo aconselhamento de não participar de outras cerimônias ritualísticas não pertencentes à corrente, entretanto esses dois ensinamentos estão livres para serem filtrados pelo seu livre arbítrio, a consequência é única e exclusivamente sua.

Vivemos um outro embate entre os jaguares, talvez nunca antes tão pujante: a interpretação pessoal das leis e normas da doutrina, o que coloca em cheque nossa estrutura doutrinária, que é sem dúvida a parte que não deve ser filtrada pela personalidade pois a consequência não é só do agente e sim do corpo mediúnico todo. Embates como a indefinição de prefixos nas emissões, ordem hierárquica das classificações, consagrações legítimas ou ilegítimas, diversas ninfas como primeira de uma mesma falange e etc, as indefinições são inúmeras. Toda essa indefinição é característica de um momento de transição, vivemos em um tempo difuso em que o sobrenome ou quem te consagrou pode validar seu trabalho ou não. Como nossa doutrina é definida justamente no âmbito transcendental, isto é, definida pela constatação da existência do espírito que transcende a limitação temporal de uma encarnação, logo devemos pensar o momento atual com o olhar na velha estrada.

O Jaguar como foi definido pela Clarividente Neiva é um espírito conquistador, marcado por inúmeras revoluções e demonstrações de rebeldia, seja contra o aparato civilizacional vigente e a nós mesmos, ou contra as leis espirituais e espíritos que os regiam, pois bem, fazendo esse resgate podemos perceber a obviedade da ação da espiritualidade em nos colocar em um sistema doutrinário com leis e normas definidas, pois a revolução e a rebeldia, a sede em derrubar homens é o nossa natureza e estamos aqui para transformá-la, natureza essa que tanto atrasou inúmeras encarnações e a nossa evolução diversas vezes, não seria sensato colocar espíritos com essa transcendência em um sistema cheio de leis frouxas e indefinidas.

Nesse sentido as leis são limitantes de nossa personalidade e impulsos para que a partir disso floresça a espiritualização em nossas consciências, Pai João ao se referir a um espírito que estava na terra disse: “Ele está pagando pena”. Em suma, ao caminharmos sob uma lei que nos rege, compreendemos o sentido crístico de evolução, embora possamos escapar das leis e normas que estruturam o vale do amanhecer e até alterá-las a nossa favor, escapar também das leis dos homens e seus tribunais, nunca poderemos escapar da lei divina.

Adendo: Este texto não se refere a nenhuma personalidade ou grupo desta doutrina, aborda um aspecto macro dos acontecimentos. Salves Deus !

Gabriel Izídio
Regente Muyatã
26 de Setembro, 2019 – Vale do Amanhecer.

Rodoviária Universal – Adjunto Apurê

Mais uma viagem, mais uma missão, mais aprendizado.
Voltei por amor por aqueles que decidi ajudar, sim, ao jurarmos um compromisso espiritual e chegando na terra tudo foi preparado para nos receber. Pai, mãe, irmãos, família, amigos e inimigos.
Nesta viagem eu retornei a grande rodoviária universal. Ela é tão grande que você acaba se perdendo. Mas eu tinha um objetivo, conhecer. Fui entrando nas filas e ali eu tinha a oportunidade de falar com os espíritos. Saber de cada um tudo, saber quem eram, qual destino, o que pensavam.
Eu vi centenas de milhares de desencarnados nas longas filas e os fiscais que orientavam o destino. Espíritos novos e velhos, portanto deficiência ou não, cada um com sua particularidade. Eu vi um rapaz que havia acabado de chegar da terra. Ele era deficiente. Esta marca ele adquiriu nesta encarnação. Foi irresponsável com sua vida e desencarnou em um acidente. Seu corpo ficou mutilado e ao passar para o outro lado levou consigo a sua dor.
Ele estava nesta fila. Eu, porém, tinha passe livre por estar transportado da terra. Os filhos de Seta Branca tem esta permissão.
Eu cortava as filas que subiam e desciam as enormes plataformas. Quando entravam nos transportes já tinham lugar certo. Eu diria, transportadores, pois era tudo diferente. Muito grande para atender ao suplício dos viajantes.
Eu havia me perdido, entrei num transportador conversando com o rapaz conhecido. Ao sentir a movimentação pedi para descer e de imediato fui atendido. Como eu não sabia onde estava fui pedir ajuda ao fiscal. Com muita educação ele foi me esclarecendo. Estes fiscais são orientadores, são missionários.
Ao observar a imensidão de onde eu estava eu digo, isso é a mão de Deus, de Jesus.
Ao voltar para a rampa que viria para a terra, eu encontrei muitos vindo visitar. Estavam voltando para o planeta, saudade. De onde eu estava não via terra, eu somente sabia que ela estava em algum lugar abaixo dos meus pés. Por ser etérico plano divino eu apreciei esta viagem, pois não é a primeira vez que cruzo este mundo.
Senti uma leveza, estávamos se movimentando. Quando o transportador cruza as faixas a gente sente mudar o padrão vibratório. Cada faixa é diferente. Chegamos, agora estávamos na crosta e dali cada um tomaria seu rumo e todos acompanhados.
Eu abri meus olhos e já no meu físico relembrando tudo. A capacidade de guardar as memórias do astral é um segredo do espírito. Cada pessoa tem um destino programado conforme pediu. Eu pedi uma missão e fui contemplado com uma. É tão lindo e maravilhoso servir com amor a terra e ao céu. Se todos pudessem contemplar isso tudo a terra hoje seria um paraíso.
A missão de Seta Branca é preparar este povo para a grande obra, eles não tem tempo a perder. As mesquinharias ainda são o entrave dos jaguares. Liberdade, caridade e conhecimento.
Sem conhecimento não há evolução. Conheça a ti mesmo ou será engolido pela ignorância mediúnica. Salve Deus!
Adjunto Apurê
An-Selmo Rá
25.01.2020

Pai Seta Branca e Pai João de Enoque – Adjunto Apurê

A vida nos reserva surpresas que a gente fica cabreiro. Ontem, no templo, pai Seta Branca veio abençoar seus filhos e dando passagem a pai João ele veio saber porque da minha preocupação. Sim, eu estou preocupado, muito mesmo, porque vejo um novo mundo cheio de riquezas espirituais e nós aqui tentando sobreviver as intempéries de um velho mundo.
Eu não estava no comando, mas estava ali ajudando com minhas heranças transcendentais o trabalho. Todo adjunto de povo tem esta missão de estar presente junto com seus comandantes para somar e não dividir.
Um quadro espiritual me deixou apreensivo, a troca. É quando um desencarne está para ser executado e a espiritualidade atua para não deixar acontecer. Agora, a coisa mais importante é quando isso acontece em nosso meio, porque os bônus pagam esta dívida carmica. A troca é feita pelos mentores, mas esta medida é muito séria, e pode acontecer fatos reais, como desmaios, acidentes de percurso, coisa que vai exigir muito trabalho. Estas passagens são pesadas, mas somente assim uma dívida é paga.
Foi esta preocupação que pai João veio saber, eu fico guardando no sol interior, eu fico observando tudo. Enquanto muitos médiuns estão sem sintonia, eu não tenho este direito de me afastar da realidade. A realidade é que somos médiuns e não bonecos ou fantoches sendo burilados pelo destino.
Eu não me dou ao direito de viver as aventuras de um mundo alucinado. O vai e vem, as variações do sistema. Cada dia me preocupo mais com meu povo, porque sei que estamos passando por uma grande transformação intelectual, trocando os livros pela intuição, pela sabedoria.
O maior aprendizado vem do céu, pois na terra os homens ainda procuram respostas para seus ais. Enquanto não se descobrem as dívidas vão aumentando.
Graças a Deus que esta doutrina veio para a terra. Graças a Deus que nossa mãe clarividente abriu estas portas. Graças a Deus temos um novo caminho, um novo amanhecer.
Agora, preste atenção na sua roupagem, não a deixe encardir. Um médium acomodado deixa de manipular e receber seus bônus. A casa de Seta Branca é para nós o nosso refúgio espiritual e material. Material para nossos corpos físicos e espiritual para nossos espíritos. Não se esqueçam disso, porque a humanidade vai precisar muito destes faróis espalhados pelo mundo.
Arregace as mangas e vamos trabalhar, o pai está vendo cada filho, e são nas pequenas obras que recebemos muitos bônus. Cuidado com a vaidade, ela é traiçoeira como um punhal afiado.
Simplicidade, jaguar, Jesus nos deu o seu exemplo.
Minha preocupação vai continuar até que a corrente se firme com seus elos intactos. A corrente arrebentou em várias partes e o pai está tentando uni-la de novo. Enquanto o pai luta para isso acontecer, muitos filhos fazem contrário, separam, quebram, dividem, por não entender o significado unificação. Eu sou unificação e não divisão.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An-Selmo Rá
19.01.2020

Leito Magnético – Kazagrande

O Leito Magnético é um trabalho iniciático de altíssima hierarquia! Demorado, cansativo para os que não conseguem se manter mediunizados dentro do trabalho, mas de uma eficácia sem igual. Um Leito Magnético não se restringe ao Templo, pode alcançar toda uma região com seus incalculáveis benefícios. A concentração, tanto para melhor eficácia do Trabalho, quanto para manter em sintonia o médium durante tão grande período, é fundamental.

Quando um Mestre, ou uma Ninfa se compromete com uma escala no Leito Magnético, ou mesmo apenas afirma que irá participar, a espiritualidade toda se mobiliza para que ele(a) tenha toda a assistência necessária para tal. Seu Cavaleiro, sua Guia Missionária, registram a presença e se comprometem, acreditando em seu compromisso. Estão ali presentes neste disputado trabalho dos planos espirituais. Não comparecendo a um compromisso feito com este Trabalho, Salve Deus! Pense no constrangimento do seu Cavaleiro ou Guia Missionária… Creio que deve haver um preço a ser resgatado por este compromisso tão sério que foi desonrado. Tudo é feito para nos beneficiar, somos os únicos responsáveis por assumir o compromisso, nossos mentores acreditam na gente. Como fica quando não cumprimos nossa parte?

Na presença dos Cavaleiros das Lanças Reino Central, Lança Vermelha, Lança Rósea e Lança Lilás, forma-se uma poderosa Rede Magnética, em uma integração perfeita de nossas energias mediúnicas com o poder espiritual ali manipulado. São raios de luz que se cristalizam formando um dos maiores poderes desobsessivos de nosso planeta.

Novamente tenho que falar da disciplina que envolve também este trabalho. Vejam que, pelo tempo que demora sua total jornada, além da concentração imprescindível, o momento da emissão deve contar com total mentalização de amor. Não somente a emissão do participante! É preciso ter a consciência do poder ali manifestado e manter a sintonia com cada uma das emissões e cantos. Vivenciar verdadeiramente cada palavra ali proferida, que se transforma em um fio de luz daquela rede. Visualizar o quê se passa é uma forma eficaz de se manter em concentração.

Um dos papeis fundamentais de um trabalho de Leito Magnético é do Coordenador, que deve, além da total sintonia e dedicação com o trabalho em andamento, zelar para que ninguém seja incomodado. Que não tenham movimentações desnecessárias dentro do setor. Um verdadeiro Cavaleiro Guardião daquela realização.

Falar da responsabilidade de um Comandante é totalmente impróprio, pois a oportunidade desta realização já deve servir para colocá-lo em total vibração com o trabalho, semanas antes de sua realização. Convidando Mestres e Ninfas, reforçando a cada reencontro, tornando-se o mais concentrado e respeitado médium do Templo.

Devo ainda ressaltar o papel das Dharma Oxinto, presença obrigatória no trabalho. Deixando até mesmo de emitir na representação da Falange para servir como Balizas (a Baliza não pode exercer os dois papeis, emitindo na representação da Falange e realizar o papel de Baliza, deve ser outra ninfa).

O roteiro de todo o trabalho está no Livro de Leis, mas, nunca é demais falar destes pequenos e não menos importantes detalhes, pois uma realização desta magnitude deve ser executada com o máximo de perfeição e dedicação.

Kazagrande

Um Jaguar depois do desencarne…

O Jaguar chega ao Templo bem cedo e logo após colocar seu “branquinho”, vai para dentro do Templo onde faz
alguma arrumação, começa a imantrar e a defumar.
Era um dia de Retiro Espiritual e àquela hora, o Templo ainda estava vazio.
O Jaguar, de nome Antônio, um Ajanã, vê um Doutrinador se harmonizando em frente ao Pai e percebe que é um
amigo que não vê há muito tempo, para lá se dirige.
Salve Deus, meu irmão, há quanto tempo? Você está meio sumido, hein?!
Salve Deus, Mestre Antônio! É… Estou com alguns problemas lá em casa, sa be como é, a patroa está acamadaporque fez uma cirurgia e estou dando assistência, sabe como é, né?
Mas, meu irmão, olha a missão! Alertai! Acontecem estas coisas porque o Jaguar não vem ao Templo, você sabe não é? – Disse Antônio se retirando. E assim passou o dia no Templo.
No dia seguinte, Antônio ao se dirigir ao trabalho sofre um acidente e desencarna. Ao chegar na Pedra Branca, Antônio encontrou seu Mentore seu cavaleiro que o aguardavam.
Antônio chegou e foi muito bem recebido pelos espíritos; porém, achou a
recepção muito “fria”.
Pensou que quando chegasse ao Astral seria recebido com mais festa pelos Mentores. E não deixou por menos, expôs sua indignação.
Salve Deus! É assim que vocês me recebem? Eu pensei que seria mais bem recebido,afinal tenho 30 anos de trabalho incessante na Doutrina!
Salve Deus, meu filho! Você está se preocupando á toa. Todos são recebidos aqui da mesma maneira; estamos felizes por você ter chegado bem, ter cumprido a sua trajetória… -Falou o Preto Velho humildemente.
Mas… Salve Deus!- insistiu Antônio- Eu sempre me dediquei muito à Doutrina! Foram 30 anos!
Quantas vezes deixei de acompanhar meus filhos às festas e reuniões na escola para ir ao Templo! Quantas vezes deixei de dar assistência à minha família… Deixei de viajar, ir à praia ou ao cinema para trabalhar em prol da Doutrina!
Respirou fundo e disse:
Quero falar com Pai João de Enoque, ele saberá me dar o devido valor!
Salve Deus, Mestre, pai João é muito ocupado!- Alertou o Cavaleiro.
Mas o Jaguar tanto insistiu que foi levado à presença de Pai João de Enoque.
Então, Antônio se acalmou, tinha certeza que Pai João saberia entendê-lo e fazer-lhe justiça! E assim chegou diante do Grande Executivo.
Salve Deus, meu filho amado! Chegou bem? – Perguntou Pai João de Enoque tão logo viu o Jaguar.
Oh, Salve Deus, Pai João de Enoque, cheguei bem, sim senhor
– respondeu Antônio. E logo, sem perder tempo,começou a sua reclamação sobre a recepção que teve e esperou que o Grandioso Mentor lhe desse razão, pois percebeu que Pai João tudo escutava,
calmamente, sempre abanando a cabeça em sinal de aprovação.
Falou, falou e falou sem parar por muitos e longos minutos, repetindo dezenas de vezes a palavra “injustiça”. De repente, o Jaguar parou de falar um pouquinho para tomar fôlego e neste momento
Pai João aproveitou para falar:
Mas, filho, você foi recebido tão bem! Igual como são recebidos todos os missionários de Seta Branca. Não entendo porque você, filho, está tão aborrecido. Salve Deus!
Mas, Pai João, vocês estão errados!
Não podem tratar e receber todos os Jaguares do mesmo jeito!
O senhor sabe que nem todos os Mestres do Amanhecer são iguais…
Sim, meu filho, concordo com você. Mas, sabe, para o Criador de todos nós,somos todos iguais e recebemos o mesmo tratamento!
Mas, Pai João- insistiu Antônio- Isto não é certo! De que adianta o esforço na Terra se este não é reconhecido neste plano?
Veja, o meu caso; eu trabalhei durante 30 anos,acredito ter resgatado muitos espíritos sofredores, obsessores… Sinceramente, esperava uma recepção melhor!…
Antônio pensou um pouco e disse:
É Pai João, estou vendo que é verdade o que dizem:
“assim na Terra como no Céu”… Aqui, como lá, tem injustiças…
O privilégio, as “panelinhas”…
Eu penso que deve ser estudada a possibilidade de se colocar um livro de ponto na Recepção dos Templos
do Vale do Amanhecer, para que vocês saibam quem realmente trabalha. Estes devem ser recebidos mais efusivamente!
Mas, filho, este livro de registro já existe- replicou Pai João.
Antônio arregalou os olhos, espantadíssimo!!!
Ué, tem??? – Perguntou Antônio, muito surpreso!
Tá vendo? Nunca me deram este livro prá assinar!
Vai ver que só a “panelinha” assinava!
Pai João riu muito (coisa rara de acontecer), que até se sacudiu.
Mas, filho você assinou o livro todos estes 30 anos!
Assinei?! – falou Antônio cada vez mais espantado –
Engraçado, não me lembro! Será que o desencarne faz agente esquecer algumas coisas?
Olha, filho, está tudo anotado e registrado, desde o primeiro dia que você chegou ao Amanhecer!
Quer ver? Vamos começar pelo dia do Retiro, que foi seu último dia antes do desencarne. Você chegou ao Templo às 8:30, não foi?
Foi sim Senhor. – falou Antônio já presumindo que teriao reconhecimento do Mentor.
E saiu do Templo ás 23:00 Horas, não é filho? –
Continuou pai João. Antônio até estufou o peito de tanto orgulho. Agora sim,estava sendo reconhecido!
Isto mesmo, Pai João… Ninguém trabalha como eu naquele Templo…
Pois é, filho, está tudo registado. Está registado aqui que naquele dia você participou da primeira Mesa Evangélica e assim foi possível o encaminhamento de muitos sofredores que faziam fila no Setor Evangélico.
Isto mesmo! Isto mesmo! – Antônio já se sentia justiçado.
Pai João de Enoque era realmente um sábio! Um Executivo sábio e justo.
É, filho, você trabalhou bonito! –
Pai João de Enoque fez uma breve parada e logo falou
– Filho, aqui está registado
que logo que saiu da Mesa Evangélica você foi á lanchonete do Templo.
Sim, Pai… o Senhor sabe, para chegar cedo eu saí de casa sem tomar o café da manhã- justificou o Jaguar.
E o café estava bom, filho? – perguntou pai João, com interesse.
Estava sim, Pai João, muito bom- respondeu Antônio
Ah, Salve Deus. Então isto explica porque o filho ficou 1 hora na lanchonete!
Respirando fundo, Pai João,continuou:
Depois você foi ao banheiro e demorou
também um tantinho, não é? … O café fez mal?
Não, Pai; eu encontrei um Jaguar que falta muito ao trabalho espiritual e estava orientando o mesmo
a participar mais dos trabalhos…
O senhor sabe, né?
Sei sim, filho. Mas, com isto você perdeu muito tempo e manipulou uma energia negativa
que poderia ter sido manipulada adequadamente dentro do Templo em favor dos mais necessitados.
E você, filho, quase perdeu o encerramento do 1º Intercâmbio…
– falou Pai João tristemente.
– Mas, filho, aqui está registado que no 2º intercâmbio você estava presente, certo? Trabalhou na primeira Mesa e no Trono.
Mas, depois só temos registo de trabalho ás 20:30.
Sabe, Pai João… Dei um tempinho para ver um jogo de futebol na Televisão da lanchonete.
Sabe, Pai … final de campeonato…
Ei, filho! – assustou-se Pai João. Veja estes registos aqui:
no Trono você discutiu com o Comandante, na Junção ficou pensando numa dívida a pagar, depois, ficou observando e desejando uma Ninfa que estava no templo.
E Pai João foi mostrando ao Jaguar toda a sua actuação naquele Retiro e este descobriu que trabalhara menos do que 4 horas naquele dia.
O Jaguar se calou, ele sabia que,durante 30 anos de missão este tinha sido sempre o seu comportamento, e que desse jeito, se contabilizasse o tempo realmente trabalhado, talvez não chegasse a 5 anos.
Achou melhor se despedir e se retirar da frente de Pai João de Enoque.
António tinha sido recebido de forma melhor do que merecia!
Salve Deus !