Biografia do Doutrinador – Tia Neiva

Meu filho Jaguar, Salve Deus!
O Sol ainda brilhava no poente, e no céu duas aves trançavam em espirais imensa, sempre longe uma da outra. Pensei: “deve ser um casal!… Porém sua realização não consiste tão somente na distância, e sim, na confiança de uma na outra”. Calma, continuei minha viagem. Agora, guiava o meu carro sentindo imensas saudades, e uma insegurança que, até então, nunca tivera. O que me faltava? Asas? Liberdade? Não, tinha tudo! e eu velava lágrimas inoportunas. Não! o pranto não vai atrapalhar este enigma que me vai n’alma – gritava eu de quando em vez. Passou-se algum tempo. Soube então, que havia razão naquelas saudades. O mundo se descortinou à minha frente, o mundo onde as razões se encontram… Isso foi no dia 1º de maio de 1959. Por Deus em uma reunião da UESB, nasceu o DOUTRINADOR. Hoje, tenho que guiar esta imensa nave espacial que é a Doutrina do Amanhecer. Continuo vendo aves no céu a voltear. Seriam as mesmas que vi há vinte e um anos atrás? Mas, que importa? Pelo que me disseram os meus olhos de clarividente, a questão não é somente estar juntos, mas, como aquelas aves; estar em sintonia.
Junto a mim, na longa estrada em direção à porta estreita, está comigo o DOUTRINADOR… Em sintonia! Vinte e um anos se passaram. Legiões de espíritos foram para o céu… Legiões de espíritos trabalharam comigo na Terra…O enigma do mundo tem agora um Farol que brilha: o mundo tem agora, o DOUTRINADOR!
Com carinho, a Mãe em Cristo,
TIA NEIVA
Vale do Amanhecer, 1º/05/1981

Missionários do 3º Milénio – Pai João de Enoque

Meus filhos, é chegado o momento de estarem prontos para receber os missionários do Terceiro Milénio. Eles já estão chegando, já existem vários deles que estão em nossa Doutrina. Certa vez, na Cachoeira do Jaguar, estava com Zé Pedro divagando sobre o futuro que semeávamos naquele lugar tão abençoado. Tínhamos por fim a sonhada liberdade e vivíamos com dificuldade, pois somente a dificuldade abrandava nossos espíritos e nos mantinha ligado ao espiritual. Um dia, chegou até lá um jovem branco, bonito de feições, com roupas finas, mas bastante desgastadas. Tinha um aspecto sofrido e uma humildade natural dos que passam por grandes dificuldades. Dividimos nosso alimento com aquele jovem, ouvimos suas histórias e ensinamos nossas lições. Em pouco tempo ele já parecia saber tudo como se sempre estivesse entre nós. Muitos não aceitavam que ele estivesse ali e fosse tão útil, pois o ciúme é um triste sentimento que habita os que demoram demais para suas conquistas. Não compreendiam como é que ele, recém-chegado, fazia tudo com tanta perfeição e dedicação. Das tarefas mais simples, até corrigir certas atitudes dos mais velhos. E ele estava certo mesmo. Com sua percepção aguçada, percebeu que não era mais bem vindo e resolveu ir embora. Insisti, junto com Zé Pedro, para que ele ficasse, mas ele disse que não adiantava, que aquele povo ainda não estava pronto para receber a ajuda que ele gostaria de dar. E assim partiu. Alguns anos depois, o reencontramos pelo povoado. Estava a cavalo, elegantemente vestido e tinha uma grande carroça, puxada por quatro cavalos, dirigida por outros dois negros bem vestidos.

-Salve Deus, pai Zé Pedro! Que alegria revê-lo! – ele
cumprimentou.

-Salve Deus, sinhozinho, ainda não esqueceu nosso
cumprimento? – retribuiu Zé Pedro.

Jamais! O quê aprendi naquela Cachoeira ficou para sempre. Pena que não pude ficar com vocês. Segui meu caminho, e encontrou outro grupo que me recebeu igualmente de braços abertos, mas eles entenderam o quanto eu poderia ser útil se não houvesse tantos ciúmes. Depois de um ano com eles, um parente me localizou dando notícias de uma herança. Com ela fundei um povoado onde os negros são respeitados e sua religiosidade traz a cura para muita gente. Meus filhos, os missionários do Terceiro Milênio são espíritos que chegam com um novo preparo, não suportam nossos ciúmes e irão nos deixar se forem mal tratados, levando sua energia e suas heranças para outras correntes.
É preciso que controlem seus impulsos e entendam que nossa Doutrina chegou primeiro aos mais humildes, com maior receptividade para a Clarividente. Mas agora, vocês estão estabelecidos como Ciência Espiritual, respeitados nos Planos Espirituais e recebem missionários que já chegam com instrução! Não vão aceitar tudo que vocês disserem sem que saibam exatamente do que estão falando. Muitos já chegam conhecendo muito sobre a Espiritualidade e sobre a manipulação energética, é preciso ser humilde, ter tolerância e muito amor, para recebe-los. É preciso não ciumar dos conhecimentos que possuem, se fazendo de donos da verdade. Não vão errar como erramos naquela época.

Pai João de Enoque (Pérolas de Pai João – Kazagrande)