Instrutor (Acervo Tumarã)

“É muito grande a responsabilidade de um Mestre Instrutor, uma vez que de sua instrução dependerá a trajetória de muitos espíritos, encarnados e desencarnados, na Corrente. Existem mestres veteranos que acham ter adquirido a condição de instrutor pelo seu tempo na Doutrina. Errado, e a preocupação dos responsáveis pelas instruções, em todos os Templos do Amanhecer, deve ser a de ter mestres capacitados a ensinar, a saber transmitir as coisas básicas de nossa Corrente, com respeito, clareza e dentro de uma mesma linguagem, em perfeita harmonia, pois cada um médium que chega, a qualquer tempo, traz uma bagagem transcendental que, sem a Clarividente, não temos como aferir, e isso não depende de sua personalidade, de sua posição social, de sua formação profissional ou de seu nível cultural. O que está acontecendo, entretanto, é que por consequência da chegada de médiuns com maior capacidade intelectual, está o instrutor sendo exigido mais e mais no nível de suas explanações, a fim de satisfazer dúvidas e questionamentos de mentes mais abertas e trabalhadas pelos diversos ramos do conhecimento humano. Isso gera uma complicada situação, principalmente se o instrutor, acomodado em seu tempo de serviço à Doutrina, não se preocupa com o aprofundamento de seus conhecimentos, nem em fazer uma reciclagem, sem estar consciente de que nossa Doutrina é muito mais Ciência do que Religião.

O verdadeiro instrutor sempre busca aprimorar seus conceitos e sabe que somos “mestres ensinando mestres”, isto é, não existe uma qualquer situação de superioridade. Em cada aula, em cada contato com os médiuns sob sua responsabilidade, o instrutor procura se fazer entender e, com simplicidade, deve estar aberto à recepção de muitas novidades que lhe chegarão daquele grupo. Esta é a correta postura mental do instrutor. Não se envaidecer do que sabe – ou pensa que sabe – e nem se colocar num pedestal se achando superior àqueles que estão chegando, ávidos pelos conhecimentos fundamentais da Doutrina. A outra preocupação do Mestre Instrutor deve ser com sua conduta doutrinária, evitando palavras e gestos não condizentes com a Corrente, além de saber manter à distância, com respeito e carinho, pessoas que se deixam levar por fantasias e entusiasmo – e por ações de irmãozinhos cobradores – e procuram um envolvimento emocional. Muitos Doutrinadores se deixaram conduzir a abismos tenebrosos pelas palavras gentis, sorrisos e manifestações de carinho de jovens bonitas que lhe foram confiadas para receber suas instruções. O melhor é não se arriscar, mantendo-se alerta, sabendo localizar o perigo e cuidando para que aquele olhar ardente não se transforme numa enorme fogueira que irá devorar-lhe a alma e destruir sua vida. A mente do Doutrinador está preparada para tudo, desde que sob a disciplina da conduta doutrinária e perfeita sintonia com seus Mentores. O que fizer fora disso, é por sua própria vontade, por seu livre arbítrio, e terá que prestar contas.”
Observações Tumarã – José Silva