Oráculo (Acervo Tumarã)

Oráculo é um tipo de Cabala presidido por um Espírito Superior, um ponto emissor de forças, projetadas por seus raios ou raízes, na medida da necessidade dos trabalhos e de acordo com a capacidade do médium que as vai manipular. Os Oráculos são organizações de um mundo assimétrico, formas de vidas, onde muitas coisas acontecem: manipulações de forças da Natureza, destinos de pessoas, transferências de espíritos e muitos outros fatos. São muitos os Oráculos nos Planos Espirituais, agindo por todo este Universo.

Sobre a Terra, três são os Oráculos que agem: o de Simiromba (ou Ariano), o de Olorum e o de Obatalá. Há, ainda, o Oráculo de Agamor , que manipula as energias emitidas por aqueles três Oráculos. A reunião desses três Oráculos forma o Reino Central. Cada raio de um Oráculo é um poder do qual dispõe o mestre ou a ninfa, segundo seu padrão vibratório, sua harmonia, seu desenvolvimento e conduta doutrinária. Cada raio tem sua especialidade, e não existe maior ou melhor raio. Existe, apenas, a soma dessas forças, desses raios. Nunca se sabe de quantos raios dispõe um médium, pois isso vai depender de muitos fatores individuais, principalmente de suas consagrações, de sua evolução, de sua conduta doutrinária, de seu padrão vibratório. Passando em cada consagração um médium acrescenta, se tiver merecimento, pelo menos um raio em sua bagagem. No Templo, temos o Castelo do Oráculo, onde, de acordo com sua Lei específica, se realiza a incorporação de Pai Seta Branca. Ali se processa a energia plena, projetada pelo Oráculo de Simiromba, para ser manipulada em benefício dos trabalhos, dos médiuns e dos pacientes. Embora fique deserto fora das horas do trabalho, o Oráculo fica permanentemente energizado, razão pela qual, ao passar diante de seu portão, deve o mestre ou a ninfa parar, abrir o plexo e captar, por uns instantes, aquela força que Pai Seta Branca deixa à sua disposição. Com a entrada em ação das forças da Estrela de Nerhu , passamos a ter a projeção do Oráculo de Agamor.

Observações Tumarã – José Silva

O que falar no Angical? Kazagrande

O Angical é um trabalho da mais alta importância para o corpo mediúnico. Seria bom que pudéssemos participar de todos os Angicais do ano.
O Angical é uma oportunidade única de conversar abertamente com uma vítima do passado. Uma das maiores provas que um Doutrinador, ou um Apará, podem passar.
Inicialmente o Angical era restrito aos reajustes de nossa encarnação coletiva dentro da “Era dos oito”… Mas como o avinhamento do trabalho, e o crescente aumento de médiuns, muitos sem nenhuma ligação com esta passagem, espíritos de outras encarnações passaram a ter a oportunidade de encontrarem-se com seus devedores… Conosco!
Passei dias procurando o que escrever sobre este trabalho sem cair na mesmice das descrições de funcionamento, do ritual e da parte técnica, hoje, porém encontrei o que realmente nos falta.
Como comunicar-se com nossos cobradores!
Primeiramente o Preto Velho ou Preta Velha vai incorporar, dar sua mensagem e passar as primeiras informações sobre o espírito a ser recebido. Suas condições de revolta, de mágoa, sua atual situação… Nem sempre irá descrever a situação específica onde o desajuste ocorreu, pois demanda uma grande sintonia do Apará e uma segurança incontestável do Doutrinador, que normalmente está um pouco receoso sobre o que vai acontecer.
Ao chegar nosso irmãozinho, damos as boas-vindas, agradecemos a oportunidade, fazemos uma doutrina básica sobre o lugar, a missão desenvolvida e nossa atual condição, de espíritos encarnados em busca e a serviço da luz, que daquele momento em diante ele tem a oportunidade de falar. Não havendo uma comunicação imediata, deve-se voltar à doutrina, buscando sempre esclarecer que não somos mais as mesmas pessoas, que temos consciência que muito erramos no passado, e que hoje nossa missão é buscar reparar estes erros, mesmo sem saber exatamente quais são, devido a bênção do esquecimento pela reencarnação; estamos dispostos a encontrar uma forma de reajustar, de oferecer nosso trabalho como forma de auxiliar encontrar um mundo melhor do que aquele que por hora vive.
Normalmente esta segunda colocação, provoca o espírito a falar sobre suas atuais condições, e afirmar que você em parte, ou totalmente, é o culpado pela sua atual condição. Os relatos do irmãozinho têm duas finalidades: Primeiramente lhe fazer sentir culpado, arrojando sobre você a culpa de todas as desgraças pelas quais tenha passado; e, por segundo, a bendita troca de energias. Ao permitir que o espírito fale, ele coloca para fora suas energias pesadas dando espaço a receber toda a emanação de luz e amor, presentes na grandeza do trabalho de Angical. Por isso, durante todo o tempo de conversação, a limpeza de aura não deve ser esquecida, pode ser feita com menos frequência do que durante a doutrina propriamente dita, porém não pode ser deixada de lado.
Temos que ter a consciência de que nossa missão é encaminhar aquele espírito! Ele é o nosso paciente ali. Não importa o quanto de detalhes ele irá fornecer sobre nossa encarnação passada. Isso é o que menos conta, pois ele sempre dará a sua própria versão, e aproveitará a oportunidade para nos culpar de tudo, esquecendo suas próprias falhas, e o que ele possa ter feito para contribuir com sua atual situação.
O esclarecimento de que, ele pode sim, ir para um lugar melhor, é importante. Deixar claro que a oportunidade chegou, que pelas bênçãos de Deus este reencontro tem a finalidade de proporcionar-lhe uma passagem de reencontro com o perdão.
Não fique pedindo perdão, você não tem a consciência de seus atos passados, mas esclareça que todos temos os nossos erros, e nossos cobradores. Somente semeando o perdão é que podemos pedir perdão aos outros aos quais devemos. Assim, ele poderá compreender que, em algum momento, ele também se encontrará com seus próprios cobradores, e a atitude dele ao perdoar seus devedores também será levada em conta.


Não se trata de convencer o espírito a lhe perdoar. Isso seria uma atitude egoísta. Sua missão é encaminhá-lo, é fazer ver que a atual condição dele não é boa, e o etérico não é seu lugar. Ele é um espírito que, acima de qualquer coisa, ainda tem em seu peito a centelha Crística que brilha, mesmo escondida pela capa de energia pesada que o envolve neste plano ao qual não pertence.
Aos poucos, vá mostrando que você hoje é uma pessoa diferente. Que, embora assuma que tem muitas falhas, colocou-se a caminho de Deus. Que deseja sinceramente tornar-se uma pessoa melhor e sente que ele também merece esta oportunidade, de ir em busca de uma vida melhor.
Algumas vezes o espírito tem alguma hierarquia no plano em que vive. Esse é um ponto delicado. Pois seu temor de perder as conquistas que teve no etérico, adquiridas normalmente através de muita dor, pode fazer com que ele se recuse a seguir para a luz. Imagine que um general não irá aceitar tornar-se um mero soldado do “outro lado”.
Esta recusa, por parte do espírito, tem uma contra argumentação bastante efetiva: Fale de você! Mostre que sendo você a pessoa que o feriu, que o magoou, que era talvez bem pior do que ele, conseguiu voltar-se para Deus. Obteve a oportunidade da reencarnação para esta bendita escola e hoje, ainda encarnado, sente que vale a pena ser um soldado da Luz. Agora passo a passo vai conquistando sua hierarquia também na luz. E sem os dramas, dores, perseguições que se passam quando se está no etérico.
Fale que na Luz se pode confiar. Não existe o perigo eminente da traição. Daqueles que hoje ocupam um posto inferior e que esperam ansiosamente uma forma de derrubá-lo. Na Luz a fraternidade é real, a conquista é meritória e o amor é que impulsiona a todos! Desperte neste irmão a vontade de viver de uma forma diferente. Sem a tensão do dia a dia que enfrenta.
Durante este tempo todo de conversação, permita ao irmãozinho ir falando, argumentando, nunca se revolte ou coloque qualquer sentimento negativo. Assuma os erros, independentemente de serem reais ou engrandecidos por ele. Sinceramente você não faria tudo de novo, porque acredita no caminho que agora trilha e lhe faz uma pessoa melhor. Continue limpando sua aura e tendo em mente seu objetivo principal de amar incondicionalmente aquele que lhe foi enviado!
Este amor, ao conversar, ao doutrinar, ao limpar a aura, ao falar com segurança é o último a ser abordado. É a Chave de Ouro para encerrar o trabalho! Afinal, todos desejam ser amados. Encontrar seu grande amor perdido em alguma das estradas de nossas muitas vidas. Falar deste amor, da necessidade de poder confiar, da paz!!! Sim, isto realmente comove o espírito. Pois são sentimentos que ele não desfruta e sente seu coração clamar por eles. Desperte nele a vontade de ir em busca deste tempo perdido! De voltar a amar! A confiar e redescobrir o sentimento de paz, de verdadeira paz que há tanto tempo não sente.
Explique que ele tem o livre arbítrio. Que não é obrigado a nada que não queira, desta forma ele deve dar a si mesmo a oportunidade, de ao menos ir conhecer o outro lado. Que se ele não gostar… Que volte para onde está! Mas que ao menos vá conhecer o que deixou para trás.
Ao sentir a aceitação, ao sentir que despertou neste irmão sua vontade de reparar o tempo perdido, coloque toda sua emoção, todo seu amor e finalize a doutrina pedindo por ele! Deseje boa sorte, e que Deus Pai Todo Poderoso ainda permita um dia se abraçarem nos Planos Espirituais.
… Oh! Obatalá…
Muitas vezes, ainda no meio da conversação, nosso irmãozinho pode recusar-se a continuar ouvindo, e o Preto Velho voltar. O mentor responsável por este trabalho irá lhe auxiliar a como conduzir o restante da conversação, orientando e explicando o que ainda falta ser dito, ou mesmo corrigindo algum relato feito na versão do irmãozinho. Isso para tranquilizar e trazer a segurança na conclusão do trabalho.
Então trará de volta nosso irmão para a conclusão.
Também para o encerramento, a Entidade vem trazer sua bênção e recomendação final.
Meus irmãos e irmãs, queria descrever a parte técnica deste trabalho, mas achei que todos já devem ter lido e relido as Cartas de Tia Neiva sobre o Angical, já devem ter escutado muitas observações sobre como começar e encerrar, e também já decorado toda a ritualística. Logo me restava falar sobre a comunicação com nosso irmãozinho. Este é o verdadeiro objetivo! Vejam que nossas oportunidades para isso são poucas. Além do Angical, apenas excepcionalmente em alguns trabalhos de julgamento, e nos Tronos Milenares, é que podemos ter esta grandiosa oportunidade.
A restrição das comunicações com espíritos chamados sofredores, é justamente em virtude da necessidade de grande preparação para este evento. Somente 12 trabalhos por ano! Enquanto não se sentir devidamente preparado para doutrinar, ou receber um espírito, que poderá apresentar as mais diversas argumentações, e até mesmo desestruturá-lo com seus relatos, você pode continuar na Mesa do Angical. Lá passam os mesmos espíritos, só que já preparados pela Espiritualidade, pelos seus Mentores, para receber a doutrina daquela forma específica.
Para formar um par no Angical deve-se ter a consciência da responsabilidade que é esta comunicação. A oportunidade única de dialogar e colocar em prova toda sua experiência doutrinaria!
Um trabalho essencial para os que desejam evoluir dentro da doutrina, compreendendo as próprias falhas sem deixar baquear-se por elas.
Kazagrande
Extraído do livro “Ao Centurião”

Xingu – Kazagrande

Xingu é um rio afluente direito do baixo Amazonas. Nasce no Estado de Mato Grosso e sua extensão é de aproximadamente 1.980 quilômetros dos quais somente 180 são navegáveis devido às corredeiras. Seu leito se faz presente além do Estado de Mato Grosso, no Pará e, em sua maior extensão, no Estado do Amazonas. Em algumas regiões compreendidas pelo curso do Xingu, até pouco tempo atrás, havia tribos de indígenas que ainda não tinham mantido contato direto com a civilização e, mesmo nos dias atuais, o relacionamento é cuidadosamente mantido sob o manto da prudência.
Destas tribos, particularmente, Tia Neiva nos esclareceu sobre duas que sabemos tratar-se de velhos contemporâneos Jaguares, reencarnados nesta primitiva condição por suas necessidades kármicas na Lei de Causa e Efeito.
Há anos, objetivando uma preparação, a Clarividente começou a promover “visitas” em meio a estas tribos, iniciando um trabalho doutrinário que culminaria em nosso tempo nos alicerces para a realização do Trabalho de Sessão Branca.
Quando nossa Mãe Clarividente iniciou os primeiros contatos, comentou que estas tribos viviam no sopé de uma montanha, com um detalhe extremamente singular: o de possuir em seu meio, no cimo, um “Espelho D’água” de considerável dimensão. No transcorrer de outros contatos, verificou, também, que as tribos mudavam constantemente de localização embrenhando-se mata adentro, motivadas pelos rumores da aproximação do “Homem Branco”. Outro fato importante a ser registrado, é que as duas tribos, aqui mencionadas, viviam em guerra, e a partir das “manifestações” da Clarividente, a paz entre foi atingida.
Finalizando este breve histórico, esclarecemos que a Sessão Branca é uma grande bênção de Deus, que permite a manipulação de forças importantíssimas, tanto para os Médiuns da Corrente, como para estes nossos irmãos que vêm portadores de Energia Transcendental, força das matas, recebendo em troca os valores de forças doutrinárias – desobsessivas.
O trabalho de Sessão Branca, ou Xingu, é um trabalho muito importante para o Mestrado, porque tem ele a capacidade de reabastecer o mestre, de renovar suas energias.
É um trabalho onde incorporam índios encarnados, que ainda não tiveram contato com o mundo civilizado. A incorporação dura em média 15 minutos e os Aparás incorporam com as mãos fechadas.
No trabalho de Sessão Branca os índios recebem o nosso ectoplasma iniciático e nós recebemos deles as energias puras das matas frondosas.
Tem a finalidade de trocar ectoplasma e energias. Por isso a necessidade de habilidade do Doutrinador em tentar entabular um diálogo. A energia se desprende pela conversação e pelos “gritos de saudação e despedida” que emitem.
Nesse trabalho o médium se reabastece da força vital, da força do Xingu.
Kazagrande
Extraído do livro “Ao Centurião”

O Registo dos Bônus – Kazagrande

No encerramento do Trabalho Oficial emitimos (ou melhor, deveríamos emitir) o mantra Noite de Paz. Falo “deveríamos”, porque infelizmente a maior parte dos médiuns foge desta nobre obrigação, de ficar por mais alguns instantes e colher boa parte dos frutos de sua jornada de trabalho mediúnico.
No encerramento dos trabalhos é que se registram as participações, é onde se anotam os bônus daquela jornada. Sua presença é fundamental!!! Não é apenas uma formalidade. Em nossa Doutrina tudo tem um porquê, e fugir desta fonte de luz é no mínimo uma irresponsabilidade. Uso o termo “fugir”, buscando a sinceridade, afinal, nada vai se alterar tão drasticamente em nossa vida, por conta destes minutos a mais.
Quando se aproxima o momento do encerramento, a fila na Pira cresce assustadoramente, e já presenciei os comandantes, após um dia inteiro de dedicação a nobre missão, encerrarem sozinhos o Trabalho Oficial.
Será que para a Espiritualidade tudo está bem desta forma? Na hora de agradecer esta oportunidade e de registrar os bônus, onde estão os Mestres e Ninfas? Tomando o último café? Gastando os bônus que deveriam receber com conversas improfícuas nos banheiros e vestiários?
Poucas são as ausências verdadeiramente justificadas, daqueles em que o horário da condução impede que continuem até o fim. Na verdade, na maioria das vezes é a carona de outro mestre impensado, que obriga ainda mais um irmão a deixar de lado um momento tão solene e nobre.
Não creio sinceramente que seu Preto Velho, sua Princesa, seu Cavaleiro, já tenha ido embora e abandonado o momento sublime do “Noite de Paz!”.
Somente no incomensurável momento do encerramento da jornada mediúnica é que temos algum direito real de pedir! Sim, pois tantas vezes erguemos nossos braços, e nossa voz, para pedir sem nada ter feito para merecer. Enquanto, no momento ideal para isso, na hora de anotar os bônus do que efetivamente haveria realizado por amor, onde está você? O que está priorizando nesta hora? Vai deixar para pedir e agradecer amanhã, quando os problemas voltarem a bater na sua porta?
Salve Deus! Mais uma vez falo primeiramente para mim mesmo, para que fique registrado este compromisso que assumo, de quando colocar-me a disposição da espiritualidade para uma jornada, cumpri-la até o fim, sem arrumar nenhuma desculpa ou preguiça, e sentir o ânimo, o vigor, a benção do “Noite de Paz”.
Kazagrande
Extraído do livro “Ao Centurião”