Mediunidade e Vidas Passadas – Adjunto Apurê

A mediunidade pode se tornar um espinho no caminho.
Esta noite meu corpo físico arrepiou todo sem dar tréguas. Foi uma coisa tão difícil voltar a uma vida passada presa pelas lembranças de ver, sentir e não poder fazer nada. Sim, não se tem como mudar o passado, mas tem como mudar o nosso futuro.
Chegando na África Setentrional ou África Branca, retornando à África Negra, uma tribo muito simples, viviam sempre em constante ataque dos animais ferozes. As casas eram de barro socado misturado com cipós ou lascas de madeira. Não haviam janelas ou portas, era tudo tão pobre, mas estavam acostumados aquela vida. E olha que ainda tinham reis e rainhas.


Eu pisei ali de novo nesta terra que me acolheu a centenas de anos atrás. Era um momento de ataque, onde os animais estavam chegando na calada da noite e só se ouviam os gritos da morte. Eu via as imagens dos animais caseiros, de crianças sendo arrastadas, de homens e mulheres sendo mortos. Meu Deus! Aquilo tudo estava sendo irradiado para meu físico aqui no meu leito. Por isso que eu estava me arrepiando, foi uma imagem muito forte.
Eu queria até esquecer o que vi, mas tudo está registrado no sol interior. A mediunidade é um espinho encalacrado no físico. Quando ela desabrocha e lhe mostra as respostas que tanto procura talvez você não queira saber, mas a verdade é dura e crua. Quem tem mediunidade aberta está sempre vivendo em sobressalto, sempre sentindo em suas veias o sangue correr.
Os bichos vinham em minha direção, eu corria e entrava nas casas tipo silos redondos, subia em arvores para poder escapar. Quem não tinha sorte ou estava dormindo era presa fácil. Ao amanhecer a tribo se reunia para contar seus mortos.
A noite toda sentindo os efeitos desta passagem. As quatro horas da madrugada levantei, tinha que recompor meus três reinos. Eu estava sentindo demais a negatividade desta viagem ao meu sol interior. Fiz minhas preces para tentar cortar esta ligação ruim, mas como, a mediunidade não deixa. A todo momento as lembranças chegam.
Uma coisa eu digo claramente, feliz aquele que não tem mediunidade, que vive seu dia-a-dia sem olhar para trás. Feliz aquele que enfrenta seu mundo de peito aberto sem medo da verdade. A mediunidade está em todos os vivos, sim, ela é biológica, geradora de energia que se transmuta a cada segundo. Só que tem várias mediunidades, umas mais afloradas e outras estagnadas. As mais afloradas, mediunidade especial é a que mais sofre. É um combate diário entre ser ou não ser.
A nossa missão foi de clarear esta estrada mediúnica trazendo o desenvolvimento desta missão para acalentar nossos espíritos. Os médiuns em verdade vivem sempre tristes com suas vidas. Muitos chegam até a cometer desatinos por não aguentar a pressão das cobranças.
Foi por isso e por este povo que Seta Branca formou este continente espiritual, para dar aos seus filhos uma feliz oportunidade de evoluir seus destinos. Poder abraçar esta terra e sentir o amor em seus corações. O desenvolvimento é uma forma de abrandar as energias que se formam no sol interior, plexo, e sem destino sobem para o sistema cerebral, mediunidade. Todos vão se perguntar aonde está o foco da mediunidade. A função do corpo físico com a presença do espirito é realmente uma incógnita. A energia floresce no plexo, mas ela só é transmitida pela mente. Como digo, um carro com motorista. O carro seria o físico e o motorista o espirito.
Por ser biológica ela parte para a cabeça que tem o sentido da memória, pensamentos e reações. Se esta energia for superior ao que o plexo emite e ela chegando no centro coronário sem manipulação pode explodir para o cérebro desestabilizando tudo. Um vaso sanguíneo que não consiga aguentar esta pressão pode estourar rompendo o elo da vida.
Vou contar esta passagem. Tinha um ajanã que começou a desenvolver. Só que a força que ele recebia era tão grande que o sangue subia para sua cabeça. Eu tive que mudar sua mediunidade para ele não infartar, pois poderia ter um aneurisma e morrer ali mesmo no trono. Ele já tinha o princípio da descarga mental ser maior que sua cabeça poderia aguentar. O remédio foi bloquear sua mediunidade e deixa-lo trabalhar como doutrinador. Eu não poderia ver ele no futuro em um leito de dor ou até desencarnado.
Os cuidados com a nossa vida mediúnica têm dois princípios, seguir as recomendações dos mentores ou deixar acontecer as consequências. A vida paralela é uma centelha de motivos aleatórios que se grudam umas nas outras. Como se diz: um balaio de gato sendo sacudido. A hora que abrir vai ser um Deus nos acuda.
Assim é com nossos plexos, eles estão sendo sacudidos e a hora que abrir tudo aquilo explode e a única direção é a parte superior.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An-Selmo Rá
05.12.2020