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História de Severino


Havia no Templo Mãe um mendigo que dormia pelas marquises do Orfanato. Severino, assim era seu nome, tinha a cara de um Preto Velho.
Somente destoava uma enorme verruga em sua face.
Era uma figura interessante, de poucas palavras, não incomodava ninguém.
A maioria das vezes almoçava com os meninos do Orfanato e ninguém se incomodava, pois sua atitude era de total educação e respeito.
Ficava vagando pelo Vale, ganhando um café aqui e ali.
Não perdia uma única reunião de Arcanos e Presidentes.
Sentava-se no fundo, calado e assistia a tudo, como se compreendesse cada palavra.
Mas se alguém lhe perguntasse algo, ele respondia como se nada houvesse visto ou ouvido.
Certa vez um Adjunto Maior resolveu leva-lo para sua casa, arrumando um quartinho para ele.
Cama limpa, roupas, um pouco de conforto enfim.
No dia seguinte lá estava Severino dormindo de novo no chão, pelas marquises do Orfanato!
Foram diversas tentativas, e todas em vão.
Certa vez, em um Angical, perguntei a Pai Joaquim quem era o Severino:
Meu filho, você lembra-se do Velho Coronel, história contada por Tia Neiva?
Severino é o Velho Coronel, um grande espírito, mas carrega uma grande culpa e veio cumprir sua jornada exatamente desta forma.
Nunca vai adiantar tentar dar algo a ele.
Pois somente pode ser feliz assim: sem ter nada nesta vida.
Seu espírito evoluído entende e ele escuta a voz do próprio espírito.
Ele foi, na época do Angical, um grande senhor de terras, com muitos escravos.
Foi um homem bom e que resgatou quase todas as suas dívidas nesta encarnação.
Porém, cometeu uma grave injustiça e para reequilibrar a energia e cumprir seu carma, voltou como negro e mendigo.
Por sua própria opção.
E continuou:
Para fazer a caridade é necessário que sempre se use o bom senso.
Não se pode sair por aí oferecendo ajuda a quem não está pedindo.
Quem não está pedindo ajuda, muitas vezes não precisa dela, ou ainda não adquiriu a humildade suficiente para pedir.
Sempre existe um motivo que justifica os problemas que a pessoa passa.