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Velhas ou novas estradas – Adjunto Apurê

Ontem Amanto esteve aqui lá pela meia noite e mandando fazer as malas. A gente não discute detalhes, temos missão e ela vai se encaixando nos conformes de nossa condição.
Eu fui visitar um povo de uma tradição diferente. Eles, para espantar os maus espíritos, batiam em latas, tampas e objetos para produzir um som que vibrava criando uma onda para interferir no comodismo. Sim, os espíritos se acomodam em seus habitats. Comodismo deixa a poeira sentar na cabeça e as pessoas não reagem, se conformam com aquela situação.
A cultura avessa também é um ato de desacreditar na valorização de sua tradição. Faz por fazer, de vez em quando, como se fosse um grande cenário ao ar livre. Eu digo isso no campo da visão espiritual, porque na terra continua a mesma.
A tradição deste povo é voltada as suas crenças que se baterem em objetos inanimados que vibrem criando um som estranho eles vão interferir no etérico para afastar os maus pensamentos, ou maus espíritos. Eu até acho interessante esta forma de mudar o ambiente, sim, nós do amanhecer também temos a nossa cultura voltada aos mantras cantados que vão tomando conta dos ambientes e assim vão desmagnetizando pelo som das palavras as crostas grudadas, imantração.
O budismo bate no cálice que provoca um som fino e com palavras vão se espalhando pelo ambiente. Muitas crenças usam deste método para promover a alteração do sistema mediúnico. A Igreja católica bate o sino para despertar os dorminhocos para a missa do dia. Os umbandistas batem o tambor para alertar os espíritos e chamar para o rito. Os evangélicos gritam com suas bíblias para espantar os espíritos. Não se tem uma energia vibracional, se tem um ectoplasma pesado.
Eu cheguei no momento em que aquele povo estava fazendo a maior zoeira. Cada um com suas latas e tampas batendo pelas ruas da cidade. Um ato defensivo ou um folclore. Não, era uma tradição religiosa. A crença vem dos antigos anciões passados pelas gerações que agora se atraem pela cultura de valorizar este momento histórico. Então a tradição aqui nesta explicação faz parte da cultura deste povo.
A cidade inteira estava batendo nas portas e janelas. Muitos expiando e aplaudindo dando força e coragem aos jovens que absorveram este rito como prova para mudar a vibração. Criou um campo força mágico que ia penetrando na audição dos encarnados e desencarnados. Os espíritos desencarnados são afastados pela dor que o som causa em suas audições. Os espíritos escutam os sons, eles não enxergam, são cegos pela ação da proteção que foi criada separando os planos. Mas o som vara os planos levando a sua mensagem.
Quando Pai João e Pai Zé Pedro queriam se comunicar com os escravos de outras fazendas eles usavam um toco oco que ao bater produzia um som. Este som ecoava pela terra e todos sabiam o significado de cada batida. Já naquele tempo havia uma linguagem pelo som. Hoje temos os telefones.
Voltamos, hoje, por saber amar. Amar a valorização humana e não se tornar desumano de novo. O homem deve se moldar a nova era dentro de sua cultura preservando suas tradições e seus papiros como prova de sua evolução. Aqui eu digo que as velhas estradas contam a história de quando tudo começou.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An-Selmo Rá
17.11.2020